Fonte:www.noticenter.com.br
Há pouco mais de 20 anos, o empresário blumenauense Werner Keske revolucionava o software brasileiro ao aliar tecnologias inovadoras com um novo sistema de comercialização. Testemunha da história do setor, ele diz que o mercado não comporta novas empresas, acredita que o ciclo das grandes transformações acabou e prevê acirramento da competição com fusões e aquisições.
“O mercado de grandes clientes é numericamente pequeno. A disputa começará se dar no grande mercado dos pequenos clientes”. A afirmação é de Werner Keske, presidente da WK Sistemas, uma das mais tradicionais empresas de software do País e uma das líderes em soluções para pequenas empresas. Keske é personagem de destaque na história da informática brasileira. Foi protagonista de algumas das principais revoluções vividas pelo setor e deixou sua marca tanto em inovações tecnológicas quando na formulação de novos métodos de comercialização. Um recente estudo do BNDES mostra que a WK Sistemas possui 2,4% do mercado brasileiro de ERPs (softwares de gestão integrada para empresas).
Quando opina sobre as atuais transformações no mercado de software, marcado por fusões e aquisições e por novos investimentos de empresas estrangeiras, Werner Keske fala na condição de testemunha ativa da história do setor de software nos últimos 25 anos. Foram dele as iniciativas que mudaram os conceitos de mercado nos anos em que a microinformática engatinhava no Brasil. Em 1984, quando fundou a WK, Werner implantou no Brasil o sistema de comercialização praticado nos Estados Unidos, que aumentava o percentual de comissionamento das revendas conforme o volume de vendas, além de diminuir os preços. A estratégia foi fundamental para estimular os parceiros comerciais, que transformaram a empresa em sinônimo de software contábil. Outra ação inédita promovida por Keske ocorreu na área técnica. Ele desenvolveu o primeiro software brasileiro com janelas sobrepostas, que permitiam aos usuários realizar uma operação sem ter que abandonar completamente o que estavam fazendo. “Juntamos inovação com preço baixoo”, assinala.
MERCADO MADURO
Ao avaliar o atual estágio do mercado brasileiro de software, Keske diz que o período das grandes transformações acabou. “A primeira revolução aconteceu com a chegada do IBM PC, que instalou a era dos microcomputadores e colocou a informática ao alcance de todos. Foi um momento em que houve uma corrida para o desenvolvimento dos primeiros sistemas para os microcomputadores”, lembra. “A segunda revolução deu-se com a chegada das redes, pois durante muitos anos os sistemas não eram integrados e funcionavam limitados a apenas um equipamento”.
Para Werner, o mercado brasileiro de software “está maduro” e chegou a um ponto em que as empresas brasileiras estarão cada vez mais envolvidas em disputas com companhias globais. “Há alguns anos, a inflação e a pouca automação governamental tornavam o mercado brasileiro pouco atrativo para as empresas de fora. Elas desenvolviam sistemas em que os campos de programação não levavam em conta a inflação, por exemplo. Adaptar-se ao mercado brasileiro era complicado. Isso não acontece mais”, ressalta. “Daqui para frente, não haverá espaço para o surgimento de novas empresas, mas, sim, para a expansão das atuais, com compras ou fusões. Com o fim da inflação e a modernização dos sistemas utilizados pelo governo, as empresas estrangeiras como a SAP e a Microsoft estão encontrando dificuldades técnicas cada vez menores para produzir seus ERPs no Brasil”, afirma.
Para Keske, a disputa se dará junto aos clientes pequenos e médios. “Em termos de quantidade, os grandes clientes formam um mercado muito restrito, embora movimentem quantias expressivas. As grandes empresas já têm suas soluções implantadas. O que pode ocorrer são eventuais trocas de fornecedores. A batalha que está para começar vai movimentar os clientes menores, que são em quantidade muito maior”.
Nos últimos dozes meses, o mercado de software assistiu a grandes alterações, com a incorporação de empresas e o anúncio da instalação de uma unidade da alemã SAP para a produção de ERPs para pequenas empresas . Werner prefere não arriscar previsões acerca dos próximos movimentos das empresas. “Na WK, recebemos constantemente propostas de parcerias, de vendas de empresas, de empresas que querem se associar e até de compra. São ações normais, de mercado. Não vemos motivos para vender a WK, uma empresa que vem tendo desempenho estável ao longo de seus mais de 20 anos de existência”, diz.
Para o bem do setor e o futuro do País, Keske defende uma mudança de mentalidade no Brasil. “A economia americana dá certo porque eles trabalham com o objetivo de ganhar dinheiro. Os softwares são feitos para agilizar a produção. No Brasil, trabalhamos para pagar impostos. Aqui os softwares consomem muito investimento para questões tributárias e legais. Lá os sistemas têm pouca preocupação com as questões tributárias, que são simples. Com isso os desenvolvedores se preocupam mais com a produção, pois o cliente tem menos necessidades no campo tributário e concentra sua atenção na produção e vendas”, assinala.
