Fonte: RH.com.Br / Boletim FENAINFO Nº 1273
Maria Bernadete Pupo - 18/09/2006
Quando nos referimos ao mundo organizacional e falamos em idade, logo nos remetemos aos profissionais mais experientes, àqueles com mais de 40 anos ou àqueles com 10, 15 anos ou mais na mesma empresa. Porém, paradoxalmente, estamos focando o profissional jovem, àquele que ingressou na empresa há pouco tempo e que diante de todas as facilidades inerentes ao mundo moderno como acesso mais fácil aos cursos superiores (veja os programas instituídos pelo governo como ProUni, Escola da Família, dentre outros), e mais facilidade em se envolver com o mundo virtual, prefere distrair-se com joguinhos, sites de relacionamentos e outros programas de comunicação e o que é pior, tudo isso em pleno expediente de trabalho.
Já está mais do que comprovado de que o uso indevido da Internet por parte dos funcionários custa caro para as empresas, (abrir mensagem contendo vírus; enviar e-mail para clientes ou colegas de trabalho colocando frases ou brincadeiras inapropriadas), pode colocar a empresa em risco e responsável pelas práticas indevidas dos seus funcionários. Mesmo assim, a cada dia que passa, aumenta o uso abusivo da rede por parte de funcionários que, apesar de informados dos riscos de suas ações, pouca importância dão para o assunto.
O Instituto Qualibest realizou uma pesquisa com cerca de 4 mil pessoas para analisar o comportamento dos funcionários que utilizam a Internet no ambiente de trabalho. Deste total, 53% têm o hábito de navegar pela Internet no escritório. Dos 2.140 respondentes com acesso à Internet no trabalho, 89% afirmaram que a utilizam para fins pessoais. Entre os respondentes, 47% têm acesso livre, 32% têm muita restrição e 21% têm alguma restrição de conteúdo. As restrições mais comuns são aos sites de conteúdo adulto (77%), Orkut e outros sites de relacionamento (61%), Instant Messenger (59%) e salas de bate-papo (53%).
Por todas as punições já previstas em lei, é inadmissível que o profissional, independente da idade, torne-se "velho" para as empresas por estes motivos, sendo substituídos por funcionários mais "jovens", aqueles com a visão de aproveitar a facilidade de lidar com o mundo virtual, em benefício da empresa e para o seu autodesenvolvimento. Práticas como estas, talvez mais apropriadas por pessoas de pouca idade, acabou forçando uma mudança de perfil profissional por parte de um empresário, dono de uma instituição de pequeno porte, o qual me dizia que pretendia trocar sua recepcionista "jovem", de pouca idade, por uma recepcionista mais "madura", com mais idade, pois a "mocinha" não estava sabendo dosar a liberdade que tinha de acesso à Internet, com a responsabilidade de realizar suas tarefas no dia-a-dia. Disse-me ainda que as chances de uma pessoa mais madura, com mais idade, dedicar-se menos tempo para bater-papo através do mundo virtual seria maior, restando assim, mais tempo para se dedicar aos seus clientes.
Frente a esse panorama, torna-se imprescindível ao trabalhador, independente da idade, preocupar-se com um contínuo processo de aprendizagem e atualização de seus conhecimentos, como forma de não somente tentar garantir seu emprego, mas também se preparar adequadamente para enfrentar a possibilidade de sua perda. É nesse contexto que surge o estudo da empregabilidade que ressalta e valoriza os profissionais, que independente da idade, apresentem propósitos claros, métodos pessoais ajustados às práticas exigidas pelo mercado; que faz reflexão e se interessa por mudanças; e, fundamentalmente, por princípios que signifiquem o respeito do profissional pelas normas, pelos procedimentos e pelos processos éticos dentro e fora das organizações. Vale esclarecer que a idade do profissional no mundo corporativo está muito mais atrelada ao seu modo de ser e das maneiras como age para se tornar mais agressivo e mais competitivo como forma de manter-se "jovem", do que a idade cronológica propriamente dita.
