Há espaço para uma nova guerra dos browsers?


Por Marcus Vinícius Brasil, Juliana Rocha e Bruno Galo

São Paulo, 10 (AE) - No começo da década de 90 quase ninguém acreditava na internet. Entre essas pessoas estava Bill Gates. Até que em 1994 surgiu o Netscape, primeiro browser ou navegador que permitia a qualquer pessoa o acesso à rede, de forma semelhante à que fazemos hoje. O programa, claro, foi um sucesso absoluto e chegou a ter mais de 90% do mercado.

Em 95, Gates percebeu o seu erro, comprou um navegador de outra empresa e rebatizou-o de Internet Explorer (IE). O período que se seguiu, entre 95 e 99, foi chamado de "guerra dos browsers", e o IE saiu vitorioso. Na próxima quinta, dia 11, às 23h, o Discovery Channel exibirá um documentário sobre a batalha. Muito tempo se passou até o lançamento oficial do Firefox - desenvolvido por milhares de programadores ao redor do mundo e lançado em novembro de 2004 - reaquecer esse embate. Mas será que hoje ainda há espaço para uma nova guerra?

As opções são inúmeras: IE, Firefox, Safari, Opera, e, agora, o Chrome, são apenas os mais conhecidos. O número de browsers supera a casa da dezena. De certa forma, o fato de o Explorer vir instalado junto com o Windows, sistema operacional da Microsoft, foi a principal jogada de Gates para garantir que ele fosse usado pela ampla maioria dos internautas durante vários anos. Mas, à medida que eles foram se familiarizando com a rede, começaram a se interessar por alternativas.

Além disso, fazer o download de um programa atualmente não assusta mais ninguém. Em outras palavras, a imposição de um browser não faz mais sentido, e a inovação é a principal arma dessa disputa. Até a própria Microsoft concorda: "Vimos muito positivamente a chegada do Chrome", afirma Priscyla Alves, gerente geral de Windows Consumer da Microsoft Brasil.

Entre as opções, há algumas que foram pensadas para públicos específicos, como é o caso dos três navegadores listados abaixo: o Flock, o Pogo e o Songbird. Eles têm em comum o fato de usarem como base o código do Firefox. Eis uma das grandes vantagens do código livre. Imagine agora o que o futuro nos reserva, afinal o Chrome também é livre.

BROWSER SOCIAL - Apelidado pelos seus criadores de "browser social", o Flock (flock.com) ganhou recentemente o prêmio como melhor rede de relacionamentos na última edição do Webby Award. A grande vantagem desse navegador feito sobre a base do Firefox é a possibilidade de se comunicar com uma série de serviços da chamada web 2.0, como Flickr, Digg e Delicious.

Apesar de social, o Flock não possui facilidades para o uso do Orkut. O navegador ainda traz atalhos para os principais serviços de e-mail, além de permitir a integração com blogs, tornando mais fácil mantê-lo atualizado. Assim como acontece com o seu irmão mais famoso, o Flock possui uma série de add-ons. Para conferir a lista completa acesse extensions.flock.com/addons.

Devido à infinidade de recursos, o Flock acaba por ter um layout bastante poluído, recheado de ícones, botões e barras, que certamente incomodará alguns usuários.

RAPOSA TURBINADA - O Pogo (pogobrowser.com), desenvolvido pela empresa de telefonia americana AT&T a partir da base do Firefox, seria uma espécie de browser da raposa visualmente turbinado. O histórico dele, por exemplo, se assemelha ao "cover-flow" do iTunnes. Já as abas estão na parte inferior do navegador e são, na verdade, pequenas imagens dos sites abertos.

Para você ter a exata dimensão das novidades visuais introduzidas por ele assista ao vídeo demonstração produzido pela AT&T em pogobrowser.com.

Ao contrário do minimalista Chrome, o Pogo também aponta para um novo tipo de experiência com o navegador, nesse caso mais visual.

A má noticia é que, além de ser pesado, exigindo um computador bem possante, o browser ainda está em versão alpha, ou seja, para poder baixá-lo primeiro é preciso fazer um cadastro no site e aguardar pacientemente o envio de uma senha de acesso que demora cerca de duas semanas.

SOFTWARE ESPERTO - Você é um daqueles internautas que vive em blogs de música, baixando arquivos em Mp3 diretamente na web? Uma boa opção para facilitar a sua vida é o navegador Songbird (getsongbird.com), desenvolvido sobre o código do Firefox.

O software foi criado por um grupo que trabalhou no Winamp, e o visual da versão mais recente é claramente inspirada no iTunes, da Apple. Ele possui um tocador integrado que, além de exibir toda a sua biblioteca musical armazenada no computador, lista arquivos de Mp3 disponíveis nas páginas visitadas na internet.

O Songbird tem uma extensão que permite a sincronização com o iPod e outra que reproduz o efeito "cover-flow" da Apple, aquele que exibe as capas dos álbuns de uma maneira mais estilosa.

Para quem estiver à procura de músicas na rede, dá para contar com as buscas sugeridas pelo navegador, como o Hype Machine, portal que reúne blogs.

Fonte: Yahoo tecnologia / Foto: Extraída do site gizmodo.com


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